O Festival Alavanca nasceu em 2009, para comemorar o primeiro aniversário da agência. Em sua edição de estreia – dias 16, 17 e 18 de janeiro – reuniu no Centro Cultural São Paulo (CCSP) as bandas Cérebro Eletrônico, Supercordas, MoMo, Numismata, Banalizando e Instiga. A diversidade e aceitação do Festival Alavanca simbolizaram o ano de pesquisa e prática promovido pela agência.
O local e os horários do evento, por si só, já têm muito a dizer sobre o que foi a celebração da Agência Alavanca. Numa cidade e momento em que as apresentações da nova música nacional concentram-se na madrugada, e em que, a cada madrugada, em mesmos horários, músicos estão dispersos em diferentes casas noturnas, a Alavanca pensou num evento vespertino, ao lado de uma estação central do Metrô, unindo diferentes conjuntos num só local. Abriram, dessa forma, oportunidade para diferentes públicos (dos 5 aos 60 anos) conhecerem o que há de novo por aí.
Na sexta-feira, dia de abertura, subiram ao palco os Supercordas, com novas canções, guitarras, distorções e uma postura diferente do primeiro disco, mais focado em violões e sons rurais. Surpreenderam e conquistaram o público do Festival, com épicos psicodélicos como “Grande Trem Positivista” e “Mumbai”, além de apresentar uma composição inédita, “Belo Horizonte”. Em seguida o Cerébro Eletrônico, que também mostrou novas canções como “Fabuloso Destino”, desencadeou sorrisos na plateia, num carnaval pós-moderno promovido pelo performático Tatá Aeroplano.
No sábado, a garoa de um dia inteiro anunciou o folk delicado e melancólico de MoMo, que embalou a todos com suas cordas ciganas e arranjos dramáticos. MoMo se soltou aos poucos e terminou o concerto alegre, dividindo-se entre canções de seus dois elogiados álbuns. Em seguida, Numismata subiu ao palco com sua mistura de rock, samba e letras fortes, levantou o público com novas canções e promoveu um show carnavalesco memorável. O cantor Russo, último a integrar o conjunto, merece destaque especial por sua performance no palco, que, em plena noite chuvosa, manteve a plateia em suas mãos, extasiada, do começo ao fim.
No último dia, o Banalizando apresentou ao público uma manifestação cultural que nunca teve muita evidência, apesar de historicamente constante – a música instrumental. O experimentalismo técnico do grupo, explorando diferentes gêneros, chamou atenção e foi muito bem recebido. Passantes do CCSP que puderam escutar o trio acabaram entrando no Festival, atraídos pelo som. E para finalizar, os campineiros do Instiga tomaram as vezes e mantiveram o tom impecável do domingo, agora preenchido por canções de letras bem-humoradas e um rock cru que não perde qualidade técnica.
_Ouça na web rádio do CCSP como foram todos os shows:
_Festival Alavanca @ Trama/Radiola:
Fotos: Ariel Martini e Cássio Abreu