O pop engenhoso de Apanhador Só, álbum de estreia da banda homônima, formada em Porto Alegre, ganha os palcos de seis casas de shows de São Paulo em maio.
Há pouco mais de duas semanas disponível gratuitamente no site oficial do quarteto (www.apanhadorso.com), o novo trabalho já alcançou mais de 4 mil downloads. O lançamento físico, realizado no último dia 21 (quarta), levou ao Teatro Renascença, na cidade natal do quarteto, mais de 600 pessoas, que cantaram as 13 faixas do disco em coro (veja fotos).
Com burburinho colocado à prova, o Apanhador Só se apresenta para plateias paulistanas bem distintas: o grupo formado pelos jovens Alexandre Kumpinski (voz e guitarra), Felipe Zancanaro (guitarra), Fernão Agra (baixo) e Martin Estevez (bateria) toca na Funhouse (1), como atração da festa Urbanaque Apresenta, no Tapas Club (4), com abertura de Rafael Castro & Os Monumentais, no Centro Cultural São Paulo (6 e 7), na Livraria da Esquina “A” (7), em 18ª edição da Noite Alavanca, que também convida o Bazar Pamplona, e no SESC Santana (27).
O itinerário do mês inclui, ainda, o SESC Presidente Prudente (8), o tradicional projeto Sonic Flower Club, em Maringá (8), e o James Bar, em Curitiba (16) – neste último, os gaúchos são recebidos pela Banda Gentileza, revelação da cena paranaense.
Sobra espaço na agenda para dois shows realizados exclusivamente para a internet (e transmitidos ao vivo). O primeiro, na próximaquarta (5), acontece às 16h no estúdio da gravadora Trama, em São Paulo (basta acessar www.tvtrama.com.br). Dia 13 (quinta), também às 16h, os gaúchos tocam no Estúdio Showlivre, programa do portal Showlivre.com.
Para completar, o Apanhador Só mostra versões acústicas de suas canções na Rádio Eldorado (AM – 700), dia 3 (segunda), às 22h, e na Rádio Levi’s, dia 11 (terça), às 16h. Novamente, tudo ao vivo.
Apanhador Só
Laboratório de invenções, a banda porto-alegrense chega para desvendar os segredos da transmutação. Assim como faz com a sucata que serve de percussão, o quarteto encontra maneiras incomuns para usar estilos e gêneros – reinventados a ponto de eventuais influências se tornarem irreconhecíveis.
Preste atenção em “Balão-de-vira-mundo“, que ao invés de seguir de volta ao sertão nordestino de seus antepassados, vai mais ao sul e vira tango. Ou no coro de “Vila do ½ Dia“, que mostra como o barroco Clube da Esquina pode combinar com o frescor da Praia do Cassino.
Conhecida do público, “Maria Augusta” retorna com novos arranjos, mais sofisticados. Uma das faixas do EP Embrulho Pra Levar, de 2006, é hit (talvez o maior, até agora) da Apanhador Só e conquista por sua construção: uma letra-refrão com quadrinha capaz de passar entre gerações (“Se por acaso tu disser que não me quer/Eu vou correndo arranjar outra mulher”).
“Maria Augusta”, aliás, não está sozinha ao propor a sensação de antiga trova popular ou de sabedoria ancestral. Isso é o mais surpreendente: a Apanhador Só coalhou o primeiro álbum com outras tantas reflexões valiosas. Alguns exemplos: “Um rei me disse que quem deixa ir tem pra sempre” (“Um Rei e o Zé“); “Não é o prédio que tá caindo/São as nuvens que tão passando” (“Prédio“); “O nosso amor, uma garrafa de vinho/Virando vinagre devagarinho” (“Peixeiro“).
Cuidado, porém, com o que eles dizem. Essa filosofia de verdade-nas-coisas-simples volta e meia é apenas disfarce para uma visão muito mais irônica e desafiadora do mundo. Veja o caso de “Pouco Importa” e do desfecho de “Um Rei e o Zé”. Ou do discurso sombrio que vem com a brisa litorânea de “Vila do ½ Dia” (“A coisa tá ficando preta/O céu já vai perdendo o azul”). “Peixeiro” alerta: “Fica encucada/Não sabe se eu falo sério ou palhaçada”.
E não é apenas isso que torna o disco da Apanhador Só surpreendente. É verdade que as canções são fruto de longo trabalho de forja e lustre, polidas até atingir aquele ponto de assimilação quase imediata. É também verdade que são executadas e cantadas com primor, e que a assinatura de Marcelo Fruet na produção musical indica capricho. Mas essas mesmas canções sempre carregam um elemento estranho, algo que parece não se encaixar, e que faz com que Apanhador Só mude a cada audição.
Para conseguir esse resultado, contam ainda as colaborações de fora, como o jovem poeta gaúcho Diego Grando, o compositor Ian Ramil, e Estevão Bertoni, vocalista do Bazar Pamplona. A banda também recorre a uma série de objetos normalmente não usados como percussão – entre eles, furadeira, máquina registradora, pato de borracha e a roda de bicicleta, símbolo da Apanhador Só –, que relevam ouvidos atentos aos sons do mundo. Carina Levitan não mais acompanha a banda nos palcos, mas é a principal responsável pelos cacarecos levados ao estúdio.
No fim, é difícil classificar Apanhador Só, que tanto recorre à memória coletiva, como apresenta saídas experimentais impensadas. Alguns podem argumentar que é música pop, mas é apenas meia resposta. O que esses meninos fazem é música popular com espírito aventureiro.
Funhouse (Festa Urbanaque Apresenta)
Sábado, 1 de maio, a partir das 23h
Rua Bela Cintra, 567 – Consolação – São Paulo, SP
R$ 20 (homens) e R$ 15 (mulheres)
(11) 3259-3793
Tapas Club (com Rafael Castro & Os Monumentais)
Discotecagem: Bárbara Scarambone
Terça, 4 de maio, a partir das 21h
Rua Augusta, 1.246 – Consolação – São Paulo, SP
R$ 10
(11) 2574-1444
Veja pôster de Dani Hasse
Centro Cultural São Paulo
Quinta, 6 de maio, às 18h30; Sexta, 7 de maio, às 12h30
Rua Vergueiro, 1.000 – Paraíso – São Paulo, SP
Entrada franca
Censura livre
(11) 3397-4002
Noite Alavanca (com Bazar Pamplona)
Discotecagem: Dominódromo MTV (com Fernando Araújo, Karen Kopitar e Rodrigo Macieira)
Sexta, 7 de maio, a partir das 23h
Livraria da Esquina “A” – Rua do Bosque, 1254 – Barra Funda – São Paulo, SP
R$ 15
(11) 3392-3089
Veja pôster de Estêvão Bertoni
SESC Presidente Prudente
Sábado, 8 de maio, às 16h
Rua Alberto Peters, 111 – Jardim das Rosas – Presidente Prudente, SP
Entrada franca
Censura livre
(18) 3226-0400
Trip Music Bar (Festa Sonic Flower Club)
Sábado, 8 de maio, a partir das 22h
Av. Cerro Azul, 323 – Maringá, PR
R$ 10 (ingressos antecipados na Espaço Maringá Park Livraria)
(44) 3029-6699
James Bar (com Banda Gentileza)
Domingo, 16 de maio, a partir das 20h
Avenida Vicente Machado, 894 – Batel – Curitiba, PR
R$ 6 (lista@bandagentileza.com.br) e R$ 10 (porta)
(41) 3222-1426
SESC Santana
Quinta, 27 de maio, às 21h
Avenida Luiz Dumont Villares, 579 – Santana – São Paulo, SP
R$ 8 (inteira), R$ 4 (usuário matriculado no SESC e dependentes, professores da rede pública de ensino e estudantes com comprovante) e R$ 2 (trabalhador no comércio e serviços matriculado no SESC e dependentes)
Estacionamento no local
(11) 2971-8700


Fotos: Rafael Rocha
Arte: Rodrigo Sommer
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