Samba e saudade podem ser dois lados de uma moeda. O Numismata tem, naturalmente, uma coleção delas, agora reunidas no CD Chorume (Pimba!/Tratore, 2009). O sexteto paulistano lança seu aguardado segundo álbum no sábado, 26 de setembro, na Choperia do SESC Pompeia, em São Paulo, em um show com participações especiais de Maria Alcina, Tatá Aeroplano (Cérebro Eletrônico, Jumbo Elektro), Rita Maria e Thadeu Meneghini.
Os cinco anos que se passaram desde o elogiado Brazilians on the Moon (Outros Discos/Tratore, 2003) fizeram diferença para o Numismata. Quem os acompanha pelos palcos foi se familiarizando com os novos rumos musicais, com a nova formação – a troca de Rodrigo Falcão por Felipe Veiga (bateria), e a entrada de Russo (voz e percussão), completando o grupo formado por Adalberto Rabelo Filho (guitarra), André Vilela (guitarra), Carlos H. (baixo) e Piero Damiani (voz, teclados e percussão) – e com algumas das novas músicas.
Mas quando se olha para trás, as transformações se destacam. A banda está mais roqueira e mais orgânica. Os timbres e efeitos psicodélicos de Brazilians… perderam terreno, as guitarras se sobressaem em um clima mais pós-punk e por vezes mais sombrio. E o samba, bem, o samba é a alma de Chorume, mas assume muitas formas. Há, porém, um traço fundamental que o identifica: a nostalgia, esta sim sem disfarces, tanto nas letras precisas (que encontram “la mot juste”, na expressão de Flaubert) como nos sofisticados arranjos.
O título do álbum explica essas mudanças: “Chorume é um álbum – e não uma coleção aleatória de canções – e precisava de um nome que englobasse de alguma maneira algum sentimento, alguma imagem, algum arquétipo, alguma emoção que perpassasse todo o disco. A gente achou que Chorume era bastante cabível. Chorume é o líquido negro produzido pela degradação do lixo, em geral em aterros sanitários. Altamente tóxico, é também (assim como o disco) um subproduto da urbanização e do acúmulo de informação. Chorume é o sumo, a soma dessas influências. É uma boa metáfora do disco, que engloba tudo, todos os ritmos, sons, influências, temáticas, tudo triturado e reprocessado”, afirma a banda.
Há canções em tons de sépia, como a valsinha “A Passos Largos”, com seu belo acompanhamento de cordas; do chorinho de flauta, cavaco e violão de sete cordas “Anhanguera”; do jazz de cabaré “Viralatas”; e da marchinha “A Vida como Ela É”, com a especialíssima participação de Maria Alcina. “Tanta Saudade”, de nome explícito, é um blues de temática espacial (David Bowie surge à mente), com os efeitos de Tatá Aeroplano. O multi-instrumentista Kassin (+2, Orquestra Imperial) insere sintetizadores na carnavalesca “O Inferno e um Pouco Mais”. A balada quase oitentista “Tanto Céu e essas Pequenas Coisas”, que abre o disco, em sua homenagem à beleza e a à dureza de São Paulo, faz o tributo ao samba paulista, de mestres como Geraldo Filme e Paulo Vanzolini. Para fechar, um mambo, a instrumental “Fernando”.
Um dos pontos altos – em qualidade e em energia – de Chorume é “Prejuízo”, uma vibrante declaração de amor ao samba que ganhou a voz de Luiz Melodia. A história da participação é curiosa: “Adalberto conversava com Jards Macalé depois de um show que fizeram juntos, então o Melodia chegou e eles começaram a bater papo, dar risada. No meio da conversa, Macalé falou para Melodia, daquele jeito dele: ‘Esse aqui [apontando para Adalberto] é roqueiro. Gravou ‘Mal Secreto’ no disco do Numismata, eu cantei com eles, uma versão moderníssíma, precisa ouvir!’. Nessas, o Melodia, para espanto de todos, virou e disse: ‘Me convida também!’, e o Adalberto, incrédulo: ‘Sério?’, e ele, batendo no pescoço: ‘Claro, cara! Negão aqui tem gogó!’”, conta o grupo.
Chorume é lançamento do selo Pimba!, novo tentáculo da gravadora carioca Dubas Música. O projeto gráfico é assinado pelo designer Rodrigo Araújo, do coletivo Bijari.
Numismata no SESC Pompeia
Projeto Plataforma
Lançamento do CD Chorume (Pimba!/Tratore, 2009)
Participações especiais: de Maria Alcina, Tatá Aeroplano, Rita Maria e Thadeu Meneghini
Sábado, 26 de setembro, às 21h
Rua Clélia, 93 – Pompeia – São Paulo, SP
R$ 16,00 (inteira)
R$ 8,00 (usuário matriculado no SESC e dependentes, +60 anos, estudantes e professores da rede pública de ensino)
R$ 4,00 (trabalhador no comércio e serviços matriculado no SESC e dependentes)
Estacionamento ao lado (não conveniado)
(11) 3871-7700

Foto: Fernando Angulo / Arte: Rodrigo Araújo (Bijari)
Numismata lança Chorume no SESC Pompeia
Os cinco anos que se passaram desde o elogiado Brazilians on the Moon (Outros Discos/Tratore, 2003) fizeram diferença para o Numismata. Quem os acompanha pelos palcos foi se familiarizando com os novos rumos musicais, com a nova formação – a troca de Rodrigo Falcão por Felipe Veiga (bateria), e a entrada de Russo (voz e percussão), completando o grupo formado por Adalberto Rabelo Filho (guitarra), André Vilela (guitarra), Carlos H. (baixo) e Piero Damiani (voz, teclados e percussão) – e com algumas das novas músicas.
Mas quando se olha para trás, as transformações se destacam. A banda está mais roqueira e mais orgânica. Os timbres e efeitos psicodélicos de Brazilians… perderam terreno, as guitarras se sobressaem em um clima mais pós-punk e por vezes mais sombrio. E o samba, bem, o samba é a alma de Chorume, mas assume muitas formas. Há, porém, um traço fundamental que o identifica: a nostalgia, esta sim sem disfarces, tanto nas letras precisas (que encontram “la mot juste”, na expressão de Flaubert) como nos sofisticados arranjos.
O título do álbum explica essas mudanças: “Chorume é um álbum – e não uma coleção aleatória de canções – e precisava de um nome que englobasse de alguma maneira algum sentimento, alguma imagem, algum arquétipo, alguma emoção que perpassasse todo o disco. A gente achou que Chorume era bastante cabível. Chorume é o líquido negro produzido pela degradação do lixo, em geral em aterros sanitários. Altamente tóxico, é também (assim como o disco) um subproduto da urbanização e do acúmulo de informação. Chorume é o sumo, a soma dessas influências. É uma boa metáfora do disco, que engloba tudo, todos os ritmos, sons, influências, temáticas, tudo triturado e reprocessado”, afirma a banda.
Há canções em tons de sépia, como a valsinha “A Passos Largos”, com seu belo acompanhamento de cordas; do chorinho de flauta, cavaco e violão de sete cordas “Anhanguera”; do jazz de cabaré “Viralatas”; e da marchinha “A Vida como Ela É”, com a especialíssima participação de Maria Alcina. “Tanta Saudade”, de nome explícito, é um blues de temática espacial (David Bowie surge à mente), com os efeitos de Tatá Aeroplano. O multi-instrumentista Kassin (+2, Orquestra Imperial) insere sintetizadores na carnavalesca “O Inferno e um Pouco Mais”. A balada quase oitentista “Tanto Céu e essas Pequenas Coisas”, que abre o disco, em sua homenagem à beleza e a à dureza de São Paulo, faz o tributo ao samba paulista, de mestres como Geraldo Filme e Paulo Vanzolini. Para fechar, um mambo, a instrumental “Fernando”.
Um dos pontos altos – em qualidade e em energia – de Chorume é “Prejuízo”, uma vibrante declaração de amor ao samba que ganhou a voz de Luiz Melodia. A história da participação é curiosa: “Adalberto conversava com Jards Macalé depois de um show que fizeram juntos, então o Melodia chegou e eles começaram a bater papo, dar risada. No meio da conversa, Macalé falou para Melodia, daquele jeito dele: ‘Esse aqui [apontando para Adalberto] é roqueiro. Gravou ‘Mal Secreto’ no disco do Numismata, eu cantei com eles, uma versão moderníssíma, precisa ouvir!’. Nessas, o Melodia, para espanto de todos, virou e disse: ‘Me convida também!’, e o Adalberto, incrédulo: ‘Sério?’, e ele, batendo no pescoço: ‘Claro, cara! Negão aqui tem gogó!’”, conta o grupo.
Chorume é lançamento do selo Pimba!, novo tentáculo da gravadora carioca Dubas Música. O projeto gráfico é assinado pelo designer Rodrigo Araújo, do coletivo Bijari.
Numismata no SESC Pompeia
Projeto Plataforma
Lançamento do CD Chorume (Pimba!/Tratore, 2009)
Participações especiais: de Maria Alcina, Tatá Aeroplano, Rita Maria e Thadeu Meneghini
Sábado, 26 de setembro, às 21h
Rua Clélia, 93 – Pompeia – São Paulo, SP
R$ 16,00 (inteira)
R$ 8,00 (usuário matriculado no SESC e dependentes, +60 anos, estudantes e professores da rede pública de ensino)
R$ 4,00 (trabalhador no comércio e serviços matriculado no SESC e dependentes)
Estacionamento ao lado (não conveniado)
(11) 3871-7700
Foto: Fernando Angulo / Arte: Rodrigo Araújo (Bijari)