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Shows

Rafael Castro se apresenta no SESC Santana

Compositor e músico de Lençóis Paulista (interior de São Paulo), Rafael Castro, 23, coleciona, em três anos de carreira, nada menos que oito discos – dois deles (O Estatuto do Tabagista e Raiz) lançados no início de 2009.

Na próxima sexta-feira (17 de julho), às 21h, o cantor, atração do projeto Ácidos & Agudos, leva ao teatro do SESC Santana um apanhado generoso de seu rico repertório, e adianta canções inéditas, do novo álbum, Aquele Embalo, que sai do forno no fim deste mês.

Prolífico, inteligente e debochado, Rafael ora parece saído de uma banda de hard rock, ora soa como discípulo de Jards Macalé e Sérgio Sampaio – é candidato forte a “maldito” da nova geração de cantores brasileiros. A seus rocks rasgados e sambas rascunhados (sem contar às suas serestas sertanejas), o cantor injeta um universo particular de personagens ao mesmo tempo irônicos, românticos e surreais.

“Que saudade do meu cabelo!/Daquele tempo que eu chacoalhava/Minha mãe não gostava/Dizia ser coisa de vagabundo”, “Se você bobear eu vou te encher de ‘birinight’/Até você me achar jóia e a gente sair daqui”, “O Oscar Wilde eu nunca li/E morro de vergonha/Mas rio com o maior dos desdéns/Pra ninguém perceber” e “Se é pra botar a mão no fogo/Começo em não botar por mim/Vai que eu canso e me traio” são versos que denotam a sagacidade envolvente de Rafael.

Aliado ao baixista Filipe Franco e ao baterista William Bueno, forma Rafael Castro & Os Monumentais, power-trio festeiro liderado por um crooner que esbanja presença de palco e carisma. “Rock de bandana” e “folk rock pastelão” são alguns rótulos já empregados para definir o grupo, mas como o próprio Rafael faz questão de afirmar, destacam apenas uma pequena parcela de sua sonoridade. “O negócio deve ir mais pro lado da ‘MPB roqueira’, uma coisa assim abrangente pra chamar de infalível”, sugere.

No embalo de Rafael
Mesmo com uma discografia precocemente extensa, ele já coleciona alguns “sucessos”. “As mais populares sempre têm espaço nos set lists dos meus shows”, garante. “Fobia Aguda de Pessoas que Batucam Mal”, “Me Chama Pra Dançar” e “Ai, Paulo, Ui, Paulo” são alguns exemplos. Além destas, os fãs do músico sempre podem esperar alguma surpresa. Isso porque, em suas apresentações, Rafael gosta de dar preferência às faixas recorrentes nas rodas de violão que organiza com amigos.

“Hoje em dia as rodinhas tão partindo pro lado B da coisa, tocar aquelas que foram esquecidas, que não tiveram nenhuma aclamação. Os shows estão pegando esse caráter também, de tocar umas músicas que de repente o público ainda nem se ligou, mas a gente gosta e toca mesmo assim”, declara.

Sem se preocupar em apontar caminhos inéditos para o cancioneiro nacional, a pesquisa estética de Rafael Castro parece ter um único objetivo: levar diversão ao público. Aquele Embalo vem aí para comprovar de vez essa premissa, conforme o músico explica em entrevista à Alavanca (leia abaixo). Ele também fala sobre a (anti)estratégia de lançamento de seus discos (todos disponíveis para download em seu MySpace) e explica às bandas como grava suas músicas em casa.

Ácidos & Agudos
O projeto do SESC Santana estreou em 2009 a fim de reunir, a cada edição, jovens talentos da música alternativa brasileira que exploram o sarcasmo em suas composições. Já convidou grupos como Cérebro Eletrônico, Numismata, Instiga, Heitor e Banda Gentileza, Cidadão Instigado e Superguidis.

Agência Alavanca – Em três anos, você já tem oito discos lançados, e um novo álbum a caminho (seu terceiro lançamento em 2009). Isso é fruto da ansiedade em mostrar ao mundo suas criações? Não teme que, assim, deixe escapar canções ou discos medianos? Por que não passar mais tempo divulgando um disco antes de lançar outro?
Rafael Castro – Frequentemente eu penso nisso, sabe? Acho que não me preocupo muito com essa história porque até agora, se eu fosse esperar um esquema bom pra trabalhar cada disco lançado eu teria feito apenas um, deixando de lado ou engavetando muitos sons que eu gosto bastante. Penso que pode ser legal essa coisa natural de fazer música, inventar um disco novo, quando dá na telha mesmo, sem encafifar tanto em trabalhar a divulgação deles. Também rola um medinho de ficar burro ou muito preguiçoso e não conseguir fazer mais nada daqui uns anos, daí isso não vai ser muito tenso porque vai ter um monte de coisa aí pra trazer à tona de novo, se calhar. Resumindo, faço da sua interrogativa uma afirmativa e confesso que devo estar no caminho errado.

Comente um pouco sobre seu novo álbum – quando e como será lançado, se há alguma mudança na sonoridade e nas inspirações para a composição das letras, qual sua expectativa com esse trabalho e o que considerar mais pertinente.
O álbum que está pra ser lançado em uma ou duas semanas – do mesmo jeito de sempre: “upando” e fazendo uma poluição visual lascada nos perfis amigos do Myspace – chama-se Aquele Embalo. A idéia foi construir um disco que soasse como uma banda contemporânea, já que até agora os trabalhos seguiram uma linha mais atemporal, mais retrô, se pá. Aquele Embalo, já no nome, sugere isso, pegar o embalo do que anda sendo o rock nessa década, desde o disco primeiro dos Strokes até o recente disco do Little Joy – essas coisas que caíram no gosto popular da moçada. É como se fosse uma covardia, um lance assim “tudo bem, então é isso que eles querem”, daí vêm as guitarrinhas marcadas, linhas de baixo retonas, vocais desanimados do tipo “minha vida é uma bosta, ‘cê tá vendo?” e baterias frenéticas pro pessoal dançar na maior parte do disco. Completando a apelação, todas as letras falam de amor.

Você grava as suas músicas em casa. Em linhas gerais, pode falar, para as bandas novas que passarem por esta entrevista, quais equipamentos e softwares utiliza para isso?
Olá, bandas novas! Hoje em dia é assim: alguns microfones e uma mesa de som. Quando é bateria faço um esquema quiçá freak com 4 overes, um na frente, perto do chão, pegando mais o bumbo e um pouco do tom; um pelo lado esquerdo captando caixa e chimbal; outro pelo lado direito no surdo e condução e por cima o último, dando aquela atenção pros pratos. Baixo e teclado direto na mesa. Guitarra captada com microfone no ampli, sem segredo. Voz com um ou mais microfones, no caso de querer criar ambiências estranhas. Pra gravar uso o Cool Edit Pro ou o Audition, que são praticamente a mesma coisa, o Audition contando com os plugins VST. Gravo e mixo nesses dois, depois pra fazer a master uso o T-Racks 3, que é uma belezinha.

Baixe todos os discos de Rafael Castro: www.myspace.com/sabesp

Rafael Castro & Os Monumentais no SESC Santana
Projeto Ácidos & Agudos (Teatro)
Sexta, 17 de junho, às 21h
Av. Luiz Dumont Villares, 579 – Santana – São Paulo, SP (Próximo à estação Jardim São Paulo do Metrô)
Ingresso: R$ 10 (inteira), R$ 5 (estudante) e R$ 2,50 (trabalhador do comércio e matriculado no SESC e dependentes)
À venda em todas as unidades da rede SESC-SP
Censura: 12 anos
Estacionamento no local
(11) 2971-8700
www.lastfm.com.br/event/1096531

Discussão

4 comentários em “Rafael Castro se apresenta no SESC Santana”

  1. Que ótima entrevista!
    Sou fã do Rafael há uns 3 anos, conheci meio que no início das composições e continuei acompanhando até hoje. Aliás, sei quase todas de cor!
    Desejo muito sucesso a ele pois é um menino inteligente e crítico, além de ser super do bem.
    Abraços

    Escrito por Rubens Mendonça | julho 16, 2009, 10:44
  2. super do bem, hjkahkjahkj

    Escrito por Diego | julho 16, 2009, 15:35
  3. Eu sou do bem, pô. Só mato uns gatinhos de vez quando.

    Escrito por Rafael Castro | julho 16, 2009, 21:39
  4. Conheci o Rafael qdo o Vagão (batera) me chamou pra fazer um som (sou baixista). No repertório rolava até Sistem of A Down. Depois nos encontramos na faculdade de administração (acho que ele nunca comentou a respeito) por pouco tempo. Hoje acompanho o seu trabalho e vejo que na nossa região ele faz a diferença, de ser tudo o q a reportagem acima citou e um pouco mais! Peço desculpas por usar sua frase Rafael “…deixando de lado ou engavetando muitos sons que eu gosto bastante” E agora Wilson Breda? pode rolar pra todos?

    Escrito por Germano | agosto 27, 2009, 0:32

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