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Diário das gravações: Banda Gentileza

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Entre os dias 27 de junho e 6 de julho, Banda Gentileza passaram 10 horas diárias no estúdio Nico’s, em Curitiba, para a jornada de gravação do primeiro CD, que pretendem lançar em outubro deste ano. Acompanhados pelo produtor Plínio Profeta, que já trabalhou ao lado de artistas tão diversos, como Pedro Luís e A Parede, Lucas Santtana, Tiê e Lenine (cujo disco Falange Canibal rendeu um prêmio de produção no Grammy Latino), desafiaram o relógio para encarar essa nova experiência.

Entre acertos, erros e descobertas, eles cumpriram a tarefa dentro do prazo e foram além: transmitiram tudo ao vivo (e na íntegra) pela internet, chamaram atenção no Twitter e na blogosfera, além de jornais e programas de tevê. Isso tudo sem contar o diário que escreveram para Alavanca, com os principais momentos dessa rotina, bem como fotos e vídeos. Acompanhe tudo a seguir.

_SEGUNDA, 6 DE JULHO DE 2009
Por Heitor Humberto

A primeira vez que fiz aula de canto foi em 2007. Queria aprender a cantar minhas músicas. Lembro até hoje o que a professora disse quando tentávamos arrumar o vocal de “Sintonia”: “essa letra tem muitas palavras uma em cima da outra. Se você for gravá-la um dia, com certeza o produtor vai mandar você mudar a letra.”

Pois é, um dia eu fui gravá-la e o produtor mandou mudar a letra. “É muita palavra, essa música não pode ser assim, você precisa enxugar, vai ter que mudar”, disse ontem o Plínio Gomes. Profeta foi a minha ex-professora de canto.

Era o penúltimo dia de estúdio e faltava apenas gravar o vocal dessa música. Fui para um canto e comecei a rabiscar, pensar em outras formas de usar as mesmas palavras, cogitei trocar tudo, mudar o sentido da letra e mudar a forma de cantar. Fiquei umas duas horas em cima do papel. No final saiu algo que poderia ser bacana. Mostrei para o Plínio, que aprovou a mudança. Gravamos. Ouvi o resultado e estranhei bastante. A música ficou com outra cara, virou outra coisa. Vamos ter que aguardar o resultado da mixagem pra ver se vamos nos surpreender positivamente ou negativamente.

A última coisa a gravar foram palmas.

E terminamos. Encerramos as gravações de 12 faixas em nove dias de estúdio. Tudo sem correria, tudo sem pressão. Foram nove dias de piadas sem graça do Nico, de lanches deliciosamente variados preparados pela família do Artur e Diogo, de sono, de transmissões ao vivo pela TV Gentileza, de um puta aprendizado. Sem dúvida alguma valeu muito a pena ter chamado um produtor de fora para gravar o disco e poder contar com um estúdio profissional. Tudo isso e a ótima relação entre banda, técnico e produtor com certeza ajudaram no processo da gravação.

Daqui a pouco, vamos todos a uma festa na qual a atração principal é o Plínio Profeta. Excelente. Será a nossa festa da cumeeira. Agora só falta o reboco, a pintura e os detalhes. Obrigado pela leitura e companhia durante todos esses dias. A partir de agora as atualizações serão menos frequentes e vamos falar sobre capa, mixagem, masterização, ISRC, fábrica de discos etc.

Um grande abraço a todos.

_SÁBADO, 4 DE JULHO DE 2009
Por Heitor Humberto

Completamos uma semana desde que chegamos ao estúdio. Apesar do dia de descanso que tivemos na quinta, estamos bastante cansados. Neste sábado, fomos até 1h gravando.

Nos últimos dias, as coisas tem sido meio iguais por aqui. Estamos nos dedicando mais aos vocais e às guitarras. Novamente, começamos a sessão gravando vozes. Eu ainda não tinha definido muito bem como queria cantar a música “Piá de Prédio”. Mas a gente concluiu que poderia ficar legal se fizéssemos uma coisa mais arrastada, alguém que bebeu e queria dividir suas mágoas. Enfim, parece clichê, mas pra mim foi novidade poder cantar sem nenhum esforço e o microfone captar todos os detalhes. Normalmente nos shows que fazemos, é preciso forçar a voz para que seja ouvida, então nunca tinha tido essa experiência.

Essa inexperiência em estúdio é meio complicada. Você acha que basta reproduzir o que faz nos shows, mas é uma história completamente diferente. Hoje eu já me senti um pouco mais à vontade do que nos dias anteriores, mas mesmo assim dá a impressão de que se já tivesse passado por um estúdio antes, seria diferente. A presença do produtor faz bastante diferença nessa hora também. Algumas entonações, mudanças de notas, pequenos detalhes, ganham atenção especial e dá para sentir melhoras instantâneas com as dicas. Estamos deixando os vocais mais complicados para os últimos dias. Espero que essa pequena experiência dos dias anteriores sirva para chegar nessas canções complicadas com mais confiança.

O dia de hoje contou também com a participação especial do Conjunto Seleções, um quarteto dedicado a músicas dos anos 30. Utilizando concertina, cavaquinho, bandolim e violão, o grupo gravou ao vivo um trecho para a nossa valsa. Vai ficar bacana. Outra participação especial e inesperada foi a do Wonder, guitarrista do Sabonetes. Ele apareceu no estúdio para nos visitar e já o colocamos para gravar uma voz no melhor estilo Zezé di Camargo na nossa música caipira (que está quase com cara de havaiana). E ele nem titubeou: em dois takes, matou. Aqui é assim: quem visita, tem que participar, tal qual aconteceu com o Jota ontem.

Hoje também o Emílio gravou vários backings e tentamos matar todos os metais. Mas ficou faltando um, o de “Pseudo Eu”. Quando o Artur e a Tetê foram gravar, a linha não estava saindo muito bem. Depois de alguns desencontros entre o sax e o trompete, o Plíniou optou por deixar essa gravação para amanhã. Mas para aproveitar o tempo, os dois gravaram o que faltava para terminar a “Coración”. Essa foi bem mais simples e eles mataram rapidinho.

Bom, ainda temos três dias de estúdio e pouca coisa para resolver. A ideia é encerrar as gravações amanhã, deixando dois vocais para segunda-feira. Terça-feira é pra ser um dia curinga, para ouvir tudo, acertar os detalhes e transferir todos os arquivos para o Plínio levar para o Rio de Janeiro e mixar. Parece que a profecia do Profeta está se concretizando e teremos tempo para finalizar tudo com calma. “Excelente, relax, mó onda.”

_SEXTA, 3 DE JULHO DE 2009
Por Tetê Fontoura

Depois de um dia de folga, voltamos ao estúdio com a corda toda nesta sexta-feira. Tanta corda que fomos madrugada adentro. O que não foi um problema, já que todos estavam bem descansados.

Quem mais trabalhou hoje foram o Emílio e o Heitor. Eles gravaram muitas guitarras e umas três vozes. O Heitor sempre fica insatisfeito, ele é o mais criterioso de todos. Mas o Plínio sempre diz pra ficar “relax”, que tá ótimo. Aí todo mundo acredita nele. Também matamos os últimos teclados, concertinas e outros barulhinhos. O Jota, que saiu da banda no ano passado, apareceu e ganhou de presente a gravação da guitarra slide em “Roça” – o que ficou bem bom. Ele aproveitou para matar a saudade e a gente se deu bem. Acho que agora podemos dizer que estamos na reta final. Faltam basicamente algumas vozes, backings e uns poucos sopros, coisa rápida. Se tudo der certo, terminamos domingo. Segunda e terça serão mais para revisar tudo e pensar em umas firulinhas que caiam bem.

A imprensa também está começando a prestar atenção na gravação, principalmente pelo fato de que estamos transmitindo tudo online em tempo real. Depois do blog do Estado de São Paulo, saímos no blog do G, o caderno cultural da Gazeta do Povo (auto-intitulado e provavelmente o maior jornal do Paraná) e uma matéria sobre a gente foi ao ar no programa Enfoque, da TV Paraná Educativa. Amanhã deve vir aqui a reportagem do Plug, um programa para jovens da RPC, a Globo local. Essa parte também é importante, é bacana mostrar nossa música para o máximo de pessoas possível, principalmente para quem nunca viu a banda. E logo, logo o disco fica pronto, então o próximo passo vai ser divulgar o lançamento para Deus e o mundo e fazer muitos shows.

Até lá, continuamos na nossa rotina, passando muitas e muitas horas trancados no estúdio. Mas, sinceramente, tá sendo muito mais divertido do que imaginei. Claro que há momentos bem maçantes, ou até mesmo meio monótonos, mas a TV Gentileza e o clima descontraído – o Plínio e o Nico, por sorte, têm um ótimo senso de humor – ajudam bastante. Fora que estamos recebendo muitas visitas, o que é sempre bem-vindo.

Esses dias tem sido bem especiais, viu? Ai, ai.

_QUARTA, 1º DE JULHO DE 2009
Por Heitor Humberto

O dia começou com uma ligação do Plínio. “Heitor, vou ter que viajar pra São Paulo amanhã”. Logo pensei, “fodeu!”. Mas a viagem seria apenas por um dia. Na sexta-feira pela manhã ele estaria aqui de volta. E o motivo era válido: participar, tocando com a Tiê, da gravação do programa Altas Horas. “Pode ser legal, assim fica um dia de folga pro pessoal”, disse ele. E até que faz sentido. Dormir poucas horas por dia torna quase impossível a tarefa de uma boa performance em estúdio. Justo.

Mas antes da folga, ainda tínhamos um dia de gravação pela frente, que começou logo com o Plínio pedindo “Heitor, vamos matar um vocal?”. Previ o drama. Então escolhemos uma que poderia ser mais fácil. “Vamos começar com a da ‘Roça’”. Fone no ouvido, microfone ligado e eu conseguia ouvir qualquer coisa que eu fizesse, desde a minha respiração, até o barulho ao dobrar o joelho. Logo pensei, “fodeu!”. A música escolhida era pra ser mais tranquila de cantar. Engano. Fiz alguns takes e achei todos ridículos. Mudava uma coisa ou outra e parecia horrível. Quando a interpretação estava bacana, era a afinação que estava um desastre.

E o Plínio naquele esquema “relax, está ótimo, já matamos um vocal”.

A estratégia dele não me parecia muito confiável, mas revelou-se muito proveitosa. A ideia é gravar sempre três takes que vão formar um take bom. Ouvimos tudo com atenção, escolhemos os melhores trechos de cada take pensando em afinação e interpretação. O que estava ruim, jogamos fora. Ao final, o take já não me parecia tão ruim. Com isso, perdemos menos tempo no estúdio gravando e errando e gravando e errando em busca do take perfeito. E começar com a primeira música errando feio não seria nada bom para a auto-estima.

Depois disso, apareceu uma equipe da TV Educativa para gravar uma matéria conosco e com o Plínio. A divulgação é importante, mas perdemos quase uma hora nesse processo. Isso que a equipe foi agilizada.

Continuando com a gravação no estilo Frankenstein, o Emílio gravou o violão de “Maior Com Sétima” e logo depois o Garapa gravou o baixo da mesma música. Para fechá-la, faltavam apenas os vocais. E lá fui eu de novo pro cantinho da sala para cantar virado pra parede. Foi bem mais tranquila. Fizemos o mesmo esquema: três takes para formar apenas um.

Saímos do samba e o Artur e a Tetê gravaram os metais de “Sintonia”. Estão craques já. Acertam tudo de primeira, fazem a dobra e matam a música sem problemas. A Tetê disse ontem que estava preocupada com o estúdio e com os possíveis erros. Mas logo no início já estavam à vontade e a cada música gravada, a confiança só aumenta. Sempre com o dedo do produtor, para deixar todo mundo tranquilo e sem pressão (e ainda tem a recompensa no final quando acertam tudo).

Como o Emílio não estava presente para gravar as guitarras, então sobrava gravar os vocais ou então o violino de duas músicas. Optamos pelo violino. Não fiquei muito satisfeito com o som. Achei muito metalizado. Custei a acertar as notas. Qualquer errinho, um dedo meio milímetro pra lá ou pra cá era o suficiente para evidenciar uma desafinação. No fim, achamos que estava tudo OK.

Era 22h e o Plínio resolver terminar antes. Fomos embora iniciar o nosso descanso. Sexta-feira começamos com a segunda metade do período de gravação. Você pode aproveitar esse nosso dia de descanso para conferir tudo o que aconteceu no estúdio até agora assistindo os arquivos de vídeo com as transmissões. Tudo em www.kyte.tv/bandagentileza.

_TERÇA, 30 DE JUNHO DE 2009
Por Heitor Humberto

O quarto dia de gravações foi longe. Saímos do estúdio depois da meia-noite, com todo mundo podre de sono. Quando cheguei ao Nico’s, no meio da tarde, a Tetê junto com o Artur já estavam gravando os metais de “Jorge Tadeu”. Fiquei muito feliz com o que estava ouvindo. Finalmente as músicas estavam começando a ganhar corpo. Depois de três dias ouvindo apenas bateria, clicks e uma linha guia meio displicente, as músicas estão com cara de música. Aos poucos, vão ganhando as linhas do baixo, guitarra, metais e teclado. Essa sensação tem deixado todo mundo muito animado.

Até ontem, confesso que ainda dava um frio na barriga quando pensava se realmente daria tempo de terminar as gravações no prazo. O Plínio sempre com a mesma história de “vocês estão indo super bem, está relax, vai sobrar tempo, mó onda”. Agora, todo mundo já entrou no espírito dele. Temos certeza que vai dar tempo. A estratégia de não fechar músicas e nem liquidar um instrumento de cada vez está dando certo. Uma hora gravamos baixo e guitarra juntos, outra apenas o baixo, outra os metais, em outra hora o Plínio se dedica a encontrar a melhor distorção pra guitarra junto com a gente. Talvez seja por isso que fica meio complicado contar passo a passo a construção das músicas. Elas vão surgindo de forma meio amebóide.

Às 21h (nem era tarde ainda), o Emílio e o Artur fizeram a cagada da noite. Eles estavam gravando baixo e bateria de “Popopó” e cismaram que a bateria estava errada, que durante a sessão de gravação, o Diogo teria errado nas viradas. O Nico rapidamente tratou de arrumar pelo computador as baterias de acordo com as coordenadas da dupla. Arrastou tudo pra lá, trouxe os instrumentos pra cá e de repente aquilo tinha virado um Frankenstein. Estava tudo errado e ninguém mais tinha referência de como era o correto. Perdeu-se nisso quase uma hora. Ficamos tentando raciocinar como era a música de fato, relembrando o arranjo original e o Nico sempre seguindo nossas instruções. Quando finalmente acertamos, o Nico profere: “cara, a música estava certa o tempo todo. Agora ela está igualzinha a quando vocês começaram a gravar”. Burros.

Fora isso, muita distração. Garapa e Emílio quando não estão gravando ficam em frente aos seus laptops. Cada um usando à sua maneira: o primeiro está desenvolvendo sua próxima aposta profissional, coisa que ainda guarda a sete chaves mas que em breve deve tomar o mercado de assalto. Já o Emílio dá sempre um jeito de sumir. Quando o encontramos, costuma estar em algum canto terminando de escrever a dissertação de mestrado (o tema: potenciais termodinâmicos generalizados, manja?). Na verdade, ele termina essa dissertação desde janeiro. Mas os números são infinitos.

Outra distração é o nosso programa de TV ao vivo do qual já falamos por aqui. Hoje tivemos muitos planos e idéias para quadros especiais com os quais pretendíamos atrair a audiência. Obviamente, não deu certo. Não colocamos nada em prática. Mas foi justamente a nossa transmissão ao vivo que nos rendeu uma entrevista muito bacana para o site do Estado de S. Paulo. Leia aqui. Se rolar alguma repercussão, aí sim teremos que nos desdobrar para manter o interesse dos espectadores naqueles momentos em que parece não acontecer nada dentro do estúdio. Mas cada vez mais acontecem mais coisas dentro do estúdio. Amanhã devemos começar as vozes, o drama maior.

_SEGUNDA, 29 DE JUNHO DE 2009
Por Artur Lipori e Heitor Humberto

Hoje nosso dia no estúdio foi marcado por um fato muito importante: teve cerveja. São quase onze da noite e eu mesmo estou escrevendo esse texto bêbado. Daqui a pouco vamos emendar um bar, não porque estamos com vontade, já estamos bêbados, mas queremos parecer uma banda bem louca para o Plínio. O Plínio gosta de bandas loucas. Maior prova disso é o God Head, uma banda grunge na qual ele tocava nos anos 90. God Head era muito louco.

A gravação rendeu bem hoje. Novamente o Plínio balizou seu trabalho no sistema de recompensas. Assim como o Diogo (Lhasa Apso) o Garapa se comportou como um cão (qual é a raça do Bruno Aleixo?). Às três da tarde o Plínio prometeu sorvete caso ele acertasse. Às onze, só faltava gravar um baixo. Com um detalhe, duas passagens ele acertou de primeira. Mas não foi só isso. Gravamos guitarras de “Jorge Tadeu” e da “Valsa”. A propósito, a guitarra da Valsa teve uma participação especial: O Gaguinho. Mais especificamente o pedal dele. É um delay handmade (aprendi esse termo com o Plínio. Nossa, eu aprendi muitas coisas com o Plínio. O Plínio é meu melhor amigo do Facebook). Bem louco. E a gente, que é uma banda muito louca, é claro que usou.

Gravar em estúdio é diferente. Você passa meses ensaiando, a música praticamente está incorporada a você. São meses sem erros. Mas chega ao estúdio e parece que muda tudo. Você se concentra, mas erra. Se concentra de novo e erra de novo. Faz um acorde fora do ritmo e recomeça. E a cada vez que recomeça, as pessoas passam a prestar atenção em você. O esquema é acertar de primeira.

O Emílio gravou algumas guitarras. O amp ficou trancado em uma sala e ele tocou aqui na sala técnica. Foram usados dois mics colados no amp. Na música do “Jorge Tadeu”, gravamos todos juntos. Se um errava, continuava. Depois a pessoa corrigia o erro. o Plínio usa esse esquema para ganhar tempo e manter a vibe entre a banda. O Emílio também gravou a viola caipira e o violão. Para isso também foram usados dois mics para dar efeito estéreo.

Resumindo, tudo está correndo bem. Comemos um X-Barreado (iguaria paranaense), tivemos a visita do Jota (autor de “Piá de Prédio”) e de alguns familiares queridos. A única coisa que não teve foi o sorvete do Garapa. Mas agora os baixos já estão gravados.

_DOMINGO, 28 DE JUNHO DE 2009
Por Emílio Mercuri, Heitor Humberto e Tetê Fontoura

Dia 2. Trabalhamos pouco. Quem trabalhou mesmo foi o Nico, o Vinícius, o dono desse império que é o estúdio (tem um hall aqui com crateras lunares no teto). Ele e o Plínio trabalharam em cima das baterias que foram gravadas ontem editando beat por beat.

Chegamos ao estúdio e o Garapa e o Diogo estavam jogando gamão no Nintendo DS, de tão ocupados que estavam. Pra ajudar, o Brasil já perdia a final da Copa das Confederações para os Estados Unidos por 2 a 0. Mas acho que mandamos boas vibrações pra seleção lá na África do Sul. Quando o Diogo terminou “Pseudo Eu”, o Brasil virou o jogo e levou o caneco. Beleza! A vitória despertou a criatividade do pessoal por aqui, que criou vários novos quadros para a TV Gentileza, a distração da galera nos momentos de ócio. Teve o Garapa imitando o Plínio, o Heitor vestido de Charlie Brown, Emílio tocando Michael Jackson e Legião e as mortes do metrônomo e do capitalismo. É o programa da família brasileira. Conferimos em real time como está a audiência. Tivemos picos de 18 pessoas simultâneas. Sucesso.

Outro grande momento que nos esquecemos de contar ontem aqui é a hora do lanche. Todo dia por volta das 18h, toca o interfone. E entram várias pessoas. São todos parentes do Diogo e do Artur. Eles trazem comidas. Ontem ganhamos pão de queijo, torta de maçã e chocolate quente. Hoje foi cachorro quente, bolo de cenoura e café. O Plínio nunca viu algo assim. Eles chegam, nos alimentam e vão embora.

No momento em que escrevo, Artur e Tetê estão gravando o sax e o trompete de “Maior Com Sétima”. O Diogo finalizou a gravação da bateria de todas as músicas. Queríamos que ele terminasse antes, mas o Plínio sempre vem com o papo do otimismo e de que vai sobrar tempo. Pois bem, agora que encerrou sua participação, o Diogo será o nosso chato de plantão. Mas ao mesmo tempo, ele será o responsável pelas atualizações do Twitter, pelas fotos, pelos vídeos e por colocar a TV Gentileza em ordem. Afinal de contas, o Kyte.tv corta a transmissão a cada 15 minutos.

Curiosidades da gravação da bateria: em “Piá de Prédio”, montamos um loop. A levada de bossa foi demais para o curitibano sem ginga alguma. Gravamos parte por parte para que ela ficasse certinha e bonita. Já em “Maior Com Sétima”, usamos um loop que mais parecia uma escola de samba. Maravilhas da tecnologia. O Diogo preocupou-se apenas em fazer uma levada malandra e falcatrua na bateria.

É isso então. Foi o segundo dia de gravação, parece que esta semana vai passar bem rápido. Estamos entusiasmados na seqüência da gravação dos instrumentos individuais! Até amanhã!

_SÁBADO, 27 DE JUNHO DE 2009
Por Artur Lipori

Escrever o diário é claramente a função do Heitor. Ele é porta-voz da banda. Mas no momento a voz dele está ocupada com trechos como “cantar alegremente dentro do armário”. Bom, deixa ele. Enquanto ele não sai de lá, eu escrevo aqui.

Começo esse diário do dia 27 de junho com uma certeza: não precisava escrever diário nenhum. Eu explico: toda a gravação do disco será transmitida ao vivo na internet (n. do e.: nem vem, Artur. Uma parte da população mundial não tem tempo de acompanhar cada segundo da TV Gentileza.). (Não vou colocar o link agora porque não lembro o endereço. E tá todo mundo em silêncio gravando. Provavelmente o link vai estar no final desse texto. Daí você clica lá e amanhã assiste).

Voltando à webcam, ela foi a grande atração do nosso primeiro dia. No início, a gente parecia estar mais preocupado com ela do que com a gravação. Buscamos várias maneiras de atrair a audiência. O ápice foi quando o Emílio disse que ia mostrar o menor mamilo do mundo. E o abismo foi quando ele mostrou. Eu tentei tocar o mamilo dele, mas não encontrei. Estamos bolando uma apresentação mais complexa para os próximos dias. O Plínio mesmo prometeu um número inédito. A idéia central é chamar a atenção do Marcelótas. Se ele botar no Twitter, vai bombar.

Hoje gravamos 6 baterias e 2 teclados aqui no estúdio do Nico. Rendeu legal. O Diogo parece funcionar como um filhote de Lhasa Apso. Não só pelo penteado, mas por se comportar a base de recompensas. Toda vez que ele faz algo certo, o Plínio dá um presentinho. Já foi CD, refrigerante, afago na cabeça. Inclusive eu notei uma coisa. A relação deles está esquentando. Ouvi coisas como “Valeu, Di!” ou “Meu Diogão”. Meio que definimos também o arranjo dos nossos dois sambas, que ainda não começamos a gravar.

Como o foco do primeiro dia era gravar a bateria, a banda toda tocou junta aqui na sala técnica. Ninguém se preocupou em fazer o melhor possível. Menos o Diogo. Tivemos que repetir alguns trechos várias vezes porque a uma certa altura ele não conseguia mais raciocinar. Acho que os pensamentos estavam ecoando lá dentro daquele cabeção e entraram em conflito.

De acordo com o Plínio, o saldo do dia foi positivíssimo. Ele nos anima com o otimismo dele e suas frases de efeito. A gente confia que consegue matar as 12 faixas em 100 horas de estúdio. Se não conseguirmos, pelo menos serão 100 horas de entretenimento barato para os internautas que se arriscarem a assistir as performances infames do Artur e do Garapa tocando Beirut como duas crianças antes da chuva cair.

Legal. Bom, amanhã é um novo dia e pretendemos acabar as baterias e adiantar tudo o que der. Até lá. Olha aí o link para nos assistir ao vivo: www.kyte.tv/bandagentileza (às vezes ele cai, mas a gente logo arruma).

_SEXTA, 26 DE JUNHO DE 2009
Por Heitor Humberto

Amanhã entramos em estúdio e finalmente começa de fato o nosso diário de bordo. Chega dessa longa introdução.

Antes disso, peço a atenção para chegar até o ponto em que de fato estamos: hoje.

Definidas as datas de gravação e pré-produção, fizemos um cronograma de vários ensaios por semana. A maioria das 23h à 1h. É por isso que estamos exaustos, afinal todo mundo acorda cedo para ir trabalhar (menos o Emílio, que trabalha na empresa que faz a meteorologia do estado). Com tantos ensaios marcados, conseguimos um desconto de 5% no estúdio. Parece pouco, mas ajudou a diminuir a nossa dívida. Com o estúdio de gravação, também conseguimos 5% de desconto porque pagamos uma parte antecipada.

No dia 11 de junho, o Plínio chegou a Curitiba para fazer a pré conosco. Estava frio pacas. Foram quatro dias no mesmo estúdio em que fizemos todos os ensaios. À medida em que ouvia as músicas, ele dava uns pitacos para deixá-las melhores.

As principais alterações que ele pediu foram nas linhas do baixo e na levada da bateria. Mas isso aconteceu em alguns trechos de algumas músicas. Em outras, ele sugeriu que acrescentássemos outros instrumentos para dar uma valorizada, como violino, concertina e guitarra com slide. Tudo pareceu muito coerente e pertinente. Em uma das músicas, a mudança foi mais brusca. A estrutura foi modificada: um trecho pra lá, outro pra cá. No início pareceu bem estranho, mas aos poucos, percebemos que ela ficava realmente mais definida e organizada com a sugestão dele.

Teve um momento interessante: o Diogo, baterista, vinha sugerindo há algum tempo que fizéssemos um trecho de uma música com uma pegada parecida com Queens of the Stone Age. Mas acabamos nunca parando pra pensar se realmente faríamos isso. Foi engraçado ouvir o que o Plínio disse após ouvir essa música: “ali naquele trecho vocês podem fazer um negócio parecido com o Queens of the Stone Age”. OK, acertamos em quem chamar para produzir o disco. Fora o fato que ele sacou muito bem a proposta da banda. Isso serviu para nos animar ainda mais.

Plínio foi embora e durante as duas semanas entre a pré e a gravação, continuamos ensaiando para absorver todas as mudanças. Nesse meio tempo (mais precisamente depois dos 3 a 0 do Brasil na Itália) fizemos também um novo arranjo para uma das músicas, com bandolim, concertina, violino, cavaquinho e violão. Mandamos para o Plínio, que aprovou a ideia. A não ser que surjam novas ideias no estúdio, as músicas estão todas prontas.

Hoje, o Diogo e o Artur entram em férias. O Garapa é autônomo. A Tetê é jornalista e trabalha meio-período. Eu consegui uma liberação no trabalho. O Emílio não sei que desculpa inventou para poder ficar os dez dias em estúdio.

Agora só falta acordar amanhã cedo, buscar o Plínio no aeroporto e ir para o estúdio. Usaremos esse espaço para colocar textos sobre a gravação, fotos e vídeos. Esperamos que gostem. Dúvidas, críticas ou sugestões, estamos às ordens: porgentileza@gmail.com. Muito obrigado pela atenção.

Um grande abraço de todos nós!

_QUINTA, 25 DE JUNHO DE 2009
Por Heitor Humberto

Era início de 2008 e tínhamos decidido: vamos gravar um álbum de estúdio. O problema era o mesmo de três anos antes: a falta de grana.

Um edital da prefeitura parecia ser a solução. Muitos projetos seriam contemplados e havia uma categoria específica para músicos iniciantes. Para não ter erro, contratamos uma especialista na questão, a Bina Zanette, para montar o nosso projeto. Mas apenas isso não era o suficiente. Precisávamos também de um nome de peso para incluir na jogada. Pesquisamos alguns produtores para convidar. Já conhecia o trabalho do Plínio Profeta (“quem não comeu Eliane Galileu?”, lembra?) como produtor do Lenine, Pedro Luis e a Parede, Katia B., O Rappa, entre outros. Logo, pensamos que o trabalho dele poderia se encaixar muito bem com o nosso. Pela internet, descobrimos o e-mail, escrevemos e ele aceitou.

Montamos um projeto bem caprichado e enviamos. Se fosse aprovado, teríamos tempo e verba para gravar um álbum com bastante tranquilidade. Foram alguns meses de expectativa. Quando finalmente saiu o resultado, foi uma decepção. Aprovaram um projeto de marchinha (marchinha em Curitiba?) e um de músicas natalinas (convenhamos, muito relevante pra cultura da cidade).

Estávamos bastante confiantes com o projeto e, no fim das contas, ele foi por água abaixo. Ficamos meio sem saber o que fazer, afinal voltávamos ao problema da grana. Não teríamos como bancar um bom produtor e um bom estúdio. O Jota, nosso guitarrista, saiu da banda (ele casou com a cantora católica mais famosa do mundo!) e chamamos nosso grande amigo Emílio para as guitarras. Mas estávamos meio desanimados. O próximo passo teria que ser um disco, senão a banda até perdia o propósito, já que para conseguir novos shows em lugares diferentes, era necessário ter um registro melhor.

O fato era que não tínhamos dinheiro. Pensamos em algumas questões:

- precisa ser um produtor tão bom assim para fazer o trabalho? Não podemos economizar chamando outra pessoa? Chegamos à conclusão de que não. Se era pra gastar dinheiro, então que valesse a pena. Seria frustrante demais se gastássemos uma quantia menor e o resultado não ficasse do jeito que queríamos.

- precisa ser um álbum? Não pode ser um single ou um novo EP? Precisa. Já tínhamos dois EPs, precisávamos de um trabalho mais sólido, mais definitivo. Por mais que a venda de discos diminua, um álbum ainda dá mais peso, ainda é melhor recebido do que poucas músicas reunidas num formato mais enxuto.

Bom, no início de 2009, decidimos que não tinha como adiar. O valor de todo o projeto (ensaios, produção, gravação, masterização, prensagem) era muito além do que poderíamos pagar, mas resolvemos assumir o risco. Felizmente, conseguimos um empréstimo e começamos a fazer uma poupança. Vamos levar quase dois anos para pagar toda a dívida. Mas é um sacrifício que já está valendo a pena.

Depois disso, voltamos a falar com o Plínio. Agendamos as datas para ele vir a Curitiba, reservamos 10 dias em um bom estúdio e fizemos um cronograma de quatro meses de ensaios antes do início da pré-produção.

_QUARTA, 24 DE JUNHO DE 2009
Por Heitor Humberto

Depois da gravação do nosso primeiro EP, ficou mais fácil tocar na cidade. Conseguimos uma abertura em alguns bares e participamos de alguns festivais. Mesmo sendo um registro bastante cru da banda – gravado ao vivo – pensei que algum selo ou gravadora poderia se interessar pelo material, enxergar algum potencial no nosso trabalho e que isso pudesse nos render algum convite. Preparei alguns kits para mandar pelo correio. Outros entreguei pessoalmente em gravadoras do Rio de Janeiro com a vã esperança de encontrar alguém com quem já pudesse fazer um contato.

Tudo que consegui foi deixar as caixas na portaria das gravadoras. Em cada uma, pedi o telefone da pessoa que era a responsável por ouvir os CDs das bandas. Nas semanas seguintes, liguei para cada um deles. Consegui apenas falar com um cara da Sony, que disse que tinha achado o trabalho legal (ele lembrava da banda), mas que não estavam contratando ninguém no momento. Foi um feedback bacana. Mesmo que não significasse quase nada, foi legal saber que alguém dentro de uma gravadora tinha gostado do EP. Acabou servindo como um incentivo para nós.

No fim de 2006, participamos de um concurso de bandas chamado Curitiba Rock Fight. Felizmente ficamos com o primeiro lugar e, como prêmio, ganhamos 40 horas de estúdio para gravar três músicas. Demoramos um tempo para começar a gravação. Seria a nossa primeira experiência em estúdio. Marcamos datas muito distantes umas das outras e chegamos sem saber muito bem como queríamos cada música. Isso foi péssimo. Erramos bastante, perdemos algum tempo inventando arranjos dentro do estúdio. Tivemos algumas dificuldades para agendar horários no estúdio e fomos deixando para depois e depois. Acabamos nunca terminando essa gravação.

Um dos motivos foi o convite que recebemos para gravar um novo EP na segunda edição da Grande Garagem que Grava, que tinha acabado de ganhar um novo edital e faria mais uma leva de CDs. A diferença dessa vez é que não precisaríamos pagar nada. E em vez de 100, receberíamos 150 cópias do disco. A essa altura, já contávamos com dois novos integrantes, a Tetê no saxofone e o Artur no trompete. A gravação foi muito importante para nós. Com ela, conseguimos divulgar um pouco mais o nosso trabalho. Foram shows em outras cidades, resenhas em sites e até na Folha de S. Paulo.

Depois disso, chegamos à conclusão de que para alcançar novos ouvintes e shows maiores, precisávamos de um trabalho mais sólido, um álbum gravado em estúdio e com uma boa produção.

_TERÇA, 23 DE JUNHO DE 2009
Por Heitor Humberto

Bom, antes de começar a descrever nosso dia a dia de gravações, é legal contar como chegamos à conclusão da forma que queríamos dar para esse nosso trabalho.

A banda começou em 2005 e com alguns meses de vida, resolvemos gravar algumas das músicas que já tínhamos em nosso repertório. Mas logo percebemos que havia dois problemas. Um deles era encontrar um estúdio com bons equipamentos e um bom técnico (na época, nem nos passava pela cabeça o papel de um produtor) para que o resultado não ficasse com aquela cara de demo mal feita (já vi boas bandas acabarem porque fizeram gravações ruins que mais serviram para desanimar os integrantes do que divulgar o trabalho). Mas para bancar um estúdio razoável, precisávamos de dinheiro. Estava aí o nosso segundo problema. Ninguém tinha condições de dar grana para a banda na época.

Felizmente, a solução acabou sendo mais fácil do que imaginávamos. Em 2005 estava sendo realizado aqui em Curitiba o projeto A Grande Garagem que Grava, uma ideia simples e sensacional que deveria existir em todas as cidades. Rodrigo Barros e Luis Antônio Ferreira, duas figuras da música independente da cidade, ganharam um edital da prefeitura para montar um mini auditório equipado para gravar shows de bandas curitibanas. Foram 16 shows que resultaram em 16 CDs. Não fosse o bastante ganhar uma gravação de graça, cada banda ainda ganhou 100 cópias para vender pelo preço que achasse mais justo. Com o dinheiro arrecadado, os grupos encomendavam mais cópias, gerando mais dinheiro e mais divulgação. Genial, não? O que era uma pequena verba para a prefeitura foi o suficiente para que, de uma hora para a outra, muitas bandas lançassem discos. Eram todos gravados ao vivo, mas com qualidade muito superior a muitos estúdios por aí.

O problema foi que não havíamos sido selecionados para participar desse projeto.

Também pudera, a banda era recém nascida. Mesmo com o projeto da GGG já encerrado, fui até lá para conhecer o Ferreira e o Rodrigão e perguntar se não existia a possibilidade de aproveitar a estrutura que eles haviam montado para gravar um novo disco, o nosso. Eles toparam, mas precisaríamos fornecer uma ajuda de custo, pois a grana do edital já tinha terminado. Conseguimos levantar o que eles pediram e marcamos uma data. Ensaiamos o quanto pudemos e divulgamos pra deus e o mundo.

No dia, estávamos bastante nervosos. Aquele seria não apenas um dos nossos primeiros shows na carreira, como também seria gravado e resultaria no nosso primeiro EP. As músicas não poderiam ser repetidas, então não havia espaço para erros. Obviamente erramos. Mas nem deu tempo de criar muita expectativa com o resultado. O PC que gravava as faixas queimou durante a apresentação e tivemos que marcar outra data.

Foi sorte, pois tivemos tempo para ensaiar mais um pouco e perder o nervosismo. Deu tudo certo. Os amigos e parentes foram mais uma vez para prestigiar. Um mês depois do novo show, já estávamos com cem cópias do disco em mãos. Esgotaram rapidamente e logo fizemos mais cem cópias. Foi com esse EP que conseguimos começar a tocar em bares e festivais da cidade.

_SEGUNDA, 22 DE JUNHO DE 2009
Por Heitor Humberto

Olá a todos, tudo certo? A partir de hoje usaremos esse espaço para escrever sobre a nossa experiência de gravar o primeiro disco em estúdio. A convite da Agência Alavanca, contaremos aqui as nossas impressões, erros e acertos dessa nova experiência, desde a pré-produção até a prensagem e o lançamento do CD. Pelo nosso Twitter, faremos atualizações mais curtas e frequentes. Por aqui, tentaremos fazer um relato mais detalhado, inclusive com fotos e vídeos. Esperamos que seja tão válido e interessante para vocês quanto será para nós.

Pelo Twitter você pode acompanhar um pouco mais do cotidiano de Heitor e Banda Gentileza no estúdio.
Se quiser falar com eles, escreva para porgentileza@gmail.com.

Foto: Diego Cwb

23/6/2009. Tags: , , . Link Permanente

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    9
    fev

    Garotas Suecas

    SESC Santos / SP / 21:30h

    Entrada: R$ 8 (inteira); R$ 4 (usuário matriculado no SESC e dependentes, +60 anos, professores da rede pública de ensino e estudantes com comprovante); R$ 2 (trabalhador no comércio e serviços matriculado no SESC e dependentes). Censura: 18 anos. (13) 3278-9800. www.sescsp.org.br.

    ENDEREÇO
    R. Conselheiro Ribas, 136, Aparecida

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