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Entrevista: Numismata

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Cinco anos se passaram desde que o Numismata lançou o primeiro CD, Brazilians On The Moon, apontado entre os melhores de 2004. De lá para cá, o grupo amadureceu nos palcos e em estúdio, ganhou um novo integrante, viu o cenário independente brasileiro crescer e se profissionalizar, e o samba se tornar cada vez mais presente na sonoridade de um sem número de bandas nacionais.

Agora que o sucessor, Chorume, está a caminho da fábrica, o sexteto retorna à cena renovado e pronto para angariar novos fãs. O álbum já tem até uma continuação – Jenkem, terceiro disco, que conta no momento com seis músicas prontas e eles prometem lançar em 2010 – e vem para afastar o grupo de rótulos como space-samba.

“Estamos um pouco menos psicodélicos e mais krautrock”, eles garantem. “Esse disco é ainda mais variado que o outro, e o samba está menos escancarado, mais subliminar, nas estruturas das letras, na prosódia, na alma mesmo do disco. As letras estão mais ousadas, em sua grande parte”, contam.

Chorume, a exemplo do disco de estreia (que conta com Jards Macalé reinterpretando um dos seus maiores sucessos, “Mal Secreto”), abre espaço para colaborações de fazer inveja.

Desta vez, quem dá as caras é Luiz Melodia, que fez questão de cantar uma música do Numismata, o petardo “Prejuízo”. “O Adalberto estava conversando com o Jards Macalé depois de um show que eles fizeram juntos, aí o Melodia chegou e eles começaram a bater papo, dar risada. No meio da conversa o Macalé falou para o Melodia, daquele jeito dele: ‘Esse aqui é roqueiro, eles gravaram ‘Mal Secreto’ no disco deles, eu cantei com eles, uma versão moderníssima, precisa ouvir!’. Nessas, o Melodia, para espanto de todos, virou e disse: ‘Me convida também!’”, relatam.

Maria Alcina é outro nome que empresta sua voz a uma das canções da banda, a marchinha hipnótica “A Vida Como Ela É” – a diva da MPB atualmente divulga um recém-lançado CD, Confete e Serpentina, que conta com duas músicas assinadas pelos paulistanos. Colaborativo, Chorume ainda tem presença de músicos como Tatá Aeroplano (Cérebro Eletrônico) e Kassin.

Numa conversa divertida com a banda, entedemos melhor a proposta do novo álbum e por que ele levou todo esse tempo para sair. Os músicos ainda nos contaram como foram as gravações com o ídolo Melodia, as parcerias ao lado de Alcina, o cuidado ao escrever as letras, a entrada de Russo (percussionista e backing vocal), entre vários outros assuntos.

Enquanto lê a entrevista, aproveite para baixar duas faixas inéditas do Chorume, “Prejuízo” e “O Inferno e Um Pouco Mais”, disponíveis para download no MySpace e no TramaVirtual.

Agência Alavanca – Em comparação ao Brazilians on the Moon, o novo álbum é uma evolução no som do Numismata ou uma viagem sonora absolutamente nova? Quais as diferenças mais relevantes de um disco para o outro?
Numismata – É uma viagem totalmente nova. Evolução é um termo meio perigoso, no sentido que um é pior ou melhor do que o outro, além de não ser o caso. Esse disco é ainda mais variado que o outro, e o samba está menos escancarado, mais subliminar, nas estruturas das letras, na prosódia, na alma mesmo do disco. As letras estão mais ousadas, em sua grande parte. O Brazilians… usou mais efeitos e recursos de estúdio para aquela psicodelia toda. No Chorume, além da óbvia contribuição mais equilibrada dos membros da banda e do gás que demos em nossos próprios arranjos, também há o recurso dos arranjos instrumentais executados pelos convidados, como sopros, cordas, clarinetas, e que achamos que são o diferencial desse disco. Estamos um pouco menos psicodélicos e mais krautrock (risos), mas um krautrock pop, se é que isso existe. Krautrock no sentido de que é rock, mas tem um groove diferente.

Aliás, por que o álbum recebeu esse nome, Chorume? É parte de algum conceito? Se sim, falem a respeito.
É e não é. Não é um álbum conceitual, não. Mas é um álbum – e não uma coleção aleatória de canções – e precisava de um nome que englobasse de alguma maneira algum sentimento, alguma imagem, algum arquétipo, alguma emoção que perpassasse todo o disco. A gente achou que Chorume era bastante cabível. Chorume é o líquido negro produzido pela degradação do lixo, em geral em aterros sanitários. Altamente tóxico, é também (assim como o disco) um subproduto da urbanização e do acúmulo de informação… Chorume é o sumo, a soma dessas influências. É uma boa metáfora do disco, que engloba tudo, todos os ritmos, sons, influências, temáticas, tudo triturado e reprocessado.

Por que o disco novo de vocês demorou tanto tempo para sair?
Sinceramente e principalmente pela questão da grana. É verdade que, com a tecnologia de gravação mais acessível, ficou mais fácil se produzir um disco, e mais fácil para as bandas novas divulgarem seu trabalho. Mas, pra produzir um álbum que realmente tenha um compromisso com a qualidade sonora, e não de demo, ainda custa uma graninha. Não adianta ser muito purista em relação a essa história. Todo disco com qualidade sonora acima da média que você ouve por aí, com certeza, mesmo se tiver sido gravado em casa, foi mixado e/ou masterizado profissionalmente. Se você junta isso a nossa ideia original de lançar o Chorume como um disco de 16 músicas, tem uma idéia da dimensão dos custos. Foram quase cinco anos de desenvolvimento das músicas, preparação dos arranjos, arregimentação dos músicos convidados (treta!), gravação de tudo, edição, mixagem, masterização… não é bolinho, não.

Como todo mundo sabe, bandas independentes não são exatamente instituições sem fins lucrativos, mas no Brasil chega-se bem perto disso, de modo que poderíamos dizer que a demora fez parte do “processo criativo” do disco. (risos)

Vocês vão lançar o CD tanto em SMD quanto no formato tradicional. Comentem a razão dessas escolhas.
Na verdade, vamos lançar o Chorume – com dez músicas – em SMD. Além disso, vamos distribuí-lo digitalmente. O SMD é uma saída viável para que o nosso trabalho possa chegar ao público final, dispensando, em parte, a necessidade de intermediários. A idéia é lançar nessa mídia mesmo como divulgação… quem não compraria um disco de 5 reais? O disco se paga e temos muito mais gente com nosso trabalho nas mãos. É preciso que fique claro, porém, que a obrigatoriedade da impressão de preço na capa, haja vista as razões ideológicas, é um complicador no que se refere a distribuição e aceitação do produto por lojas convencionais – não só no Brasil -, de maneira que o SMD, por enquanto, é um ótimo instrumento de merchandising, mais do que qualquer outra coisa. Serve efetivamente para agraciar o mais importante, que é o público que efetivamente vai aos nossos shows, com um registro “definitivo” do que são as nossas novas canções.

Por isso, a não ser que o mundo mude muito até lá, planejamos lançar nosso álbum em outras mídias, que possam atingir mais pessoas, que porventura só encontrem nosso trabalho por meio de grandes magazines de cultura e de música, ou comprem online, tanto no Brasil quanto no exterior – ou ainda que tenham (como nós mesmos) o desejo de ter em mãos um produto completo, com – além da música – todos os detalhes a mais que, por exemplo, se encontra num LP (arte, letras, fotos etc.), sem restrições. Há ainda o caso daquelas pessoas que não vão a shows de música independente ou que moram em cidades em que ainda não nos apresentamos.

Desde o Brazilians…, vocês estão sempre fazendo shows por aí. Tanto que o público que os acompanha já conhece boa parte do repertório do Chorume. Acreditam que isso pode, de alguma forma, atrapalhar ou ajudar na divulgação do novo CD?
Só ajuda. Até porque nós já temos novas músicas pra galera ir conhecendo, que não estão nem no Brazilians… nem no Chorume, e sempre estamos pensando em novas surpresas. Quem vai aos nossos shows sabe que tem sempre alguma novidade (quase sempre, vai!). E espera um pouco isso, achamos. Além disso, o público do Numismata é em parte formado pelas pessoas que vão aos shows e nos acompanham, como disse – mas uma grande parte dos nossos fãs nos conhecem quase que exclusivamente pelo Brazilians…, ou seja, o disco novo é todo novidade.

O lançamento, antes de tudo, deve atrair novas pessoas para o show. O hiato entre um álbum e outro é bastante grande, mudamos de baterista e entrou o Russo, é quase como se fosse uma banda nova. Muita gente vai começar a ouvir falar da gente só agora, certeza. É uma nova oportunidade para conhecer o trabalho da banda, num contexto diferente daquele em que nasceu o primeiro CD.

Chorume quase saiu com 16 faixas, certo? Agora, vocês decidiram lançar o CD com 10 músicas. Qual o motivo dessa mudança e o critério de seleção dessas canções, e quais os planos para as faixas que ficaram de fora?
O motivo é aquele mesmo da primeira pergunta: dinheiro. Em relação à seleção das músicas, não houve nenhum critério específico, simplesmente optamos por aquelas músicas que tinham mais cara de Chorume, fomos selecionando aquelas que tinham mais aderência. A idéia, porém, é nenhuma  ficar “de fora”, por isso estamos já pensando num álbum de “continuação” do Chorume, com as seis músicas que ficaram de fora desse acrescidas de mais provavelmente quatro canções novíssimas em folha.

Quem teve a ideia de convidar Luiz Melodia para participar do disco novo? Como ele reagiu ao convite e como foram as gravações?
A ideia foi dele mesmo. O Adalberto estava conversando com o Jards Macalé depois de um show que eles fizeram juntos, aí o Melodia chegou e eles começaram a bater papo, dar risada. No meio da conversa o Macalé falou para o Melodia, daquele jeito dele: “Esse aqui é roqueiro, eles gravaram ‘Mal Secreto’ no disco deles, eu cantei com eles, uma versão moderníssima, precisa ouvir!”. Nessas, o Melodia, para espanto de todos, virou e disse: “Me convida também!”, e o Adalberto, incrédulo: “Sério?!”, e ele, batendo no pescoço: “Claro, cara! Negão aqui tem gogó!” Caímos na risada e o Adalberto disse: “Olha, cara, eu vou ser chato, hein, é sério mesmo essa história, podemos combinar?”, e ele, com cara de sério: “Mas é claro, tá me tirando?”.

Demorou pra caramba, por conta de agenda, dele morar no Rio e a gente em Sampa, mas o cara foi superbacana e a participação dele é tão impecável e tão impágavel quanto o próprio. Quando o Piero chegou ao Rio, foi pro hotel em que o Melodia estava hospedado (a casa dele estava em reforma), aí o “figura” sai de carro, pela garagem, abre a janela e a cena mais insólita: o próprio, com dreadlocks enormes, ouvindo a nossa gravação “de estudo”! Aí fomos para o estúdio e, diante de todos estupefatos, gravou a nossa música como se fosse dele. O Piero conta que o mais bizarro foi ele, depois de alguns takes, no mic da técnica: “Não, Melodia, não é assim, é mais assim, ó…” Pelamordedeus! Foi bem foda. No meio tem um trecho que a música ficava só na levada, meio que faltava um solo ou alguma coisa… o Piero então sugeriu que ele improvisasse qualquer coisa, só pra ver no que dava. Pois é, a treta foi depois pra o André [Vilela, guitarrista] tirar o solo dele – perfeito – para dobrar na guitarra! Ficou lindo e temos muito orgulho dessa gravação.

Falem um pouco sobre as colaborações com a cantora Maria Alcina — isto é, dela no disco de vocês e de vocês no récem-lançado disco dela, Confete e Serpentina. De onde vem essa parceria? Ela influencia o trabalho do Numismata?

A parceria surgiu de um convite do [Maurício] Bussab para que o Adalberto o ajudasse na seleção do repertório do que veio a ser o Maria Alcina Confete e Serpentina. A gente não se enfiou cabotinamente no projeto, não, já estávamos selecionados por ele a essa altura do campeonato e demos a ela de presente as músicas “Das Tripas, Coração”, que originalmente era pra o nosso disco, e “Maria Alcina, Confete e Serpentina”. Óbvio que quando pensamos no Chorume, achamos que a nossa marchinha “A Vida Como Ela É” tinha tudo a ver com a Alcina, então não titubeamos em convidá-la. Ela topou na hora e foi demais, ela é superirreverente, uma intérprete de mão cheia, cheia de nuances – não somente uma cantora afinada – daquele tipo que já não se vê tanto. Depois disso, rolou um convite do projeto Circuito Original pra gente tocar com a Alcina como convidada, que foi um daqueles presentes que não tem preço.

Sobre influenciar a gente, ela influencia, claro, mas não no sentido óbvio, quer dizer, nós não passamos a compor marchinhas por causa disso, ou deixou de fazer isso ou aquilo, ou a fazer isso ou aquilo, mas no sentido da alegria, do talento, na qualidade de seus discos e de sua interpretação indefectível e moderníssima!

A banda agora tem um sexto integrante, o Russo. É um cara carismático e empolgado à beça, que rouba atenções não só como backing vocal, mas pela presença de palco – e, pelo o que a gente percebe, agrada muito ao público. Como e por que ele entrou para o Numismata? Atualmente, vocês notam que o show da banda mudou desde a entrada de Russo?
O Russo sempre esteve envolvido com o Numismata de alguma forma. Ele era do Mal Secreto, a banda que deu origem ao Numis, e somos todos amigos, antes de tudo. De sair para beber, compor junto, ele estava sempre nos nossos ensaios. Acho que a entrada dele no projeto rolou naturalmente, na hora certa, do jeito que as coisas deveriam acontecer. Não tem um porquê específico, o Russo entrou, simplesmente.

É claro que mudou, o Russão faz uma espécie de contraponto à, digamos, seriedade de algumas músicas e é um ótimo intérprete, ele e o Piero são bastante complementares, funcionam muito bem juntos. Nos ensaios, inclusive, eles sempre estão trabalhando juntos, trocando idéias de interpretação e mesmo melódicas. Talvez seja mais fácil pro público responder a essa pergunta, porque é bem complicado autoanalisar nosso show pela perspectiva do palco e não da platéia. A única coisa que esperamos é que o público se empolgue igualmente com os seis integrantes do Numismata, porque acho a participação de todos relevante e interessante na mesma medida.

Quando o Chorume for lançado, muita gente (a imprensa, em especial, mas também o público), a exemplo do que ocorreu à época do Brazilians…, vai voltar a atribuir ao Numismata rótulos do tipo “indie-samba”, “samba especial”, “MPB experimental”, “space-marchinha”… Vocês se sentem contemplados por alguma dessas atribuições? Como classificariam a mistura de gêneros que promovem no som de vocês, que tem samba, krautrock, jazz, disco music, tropicália, latinidades e por aí vai?
Rótulos para qualquer coisa são sempre excludentes, na música então… Que estilo de música tocamos? Que gênero? Para manter a piada, nosso som é “numismático”. O que mais nos identificamos até agora foi o “pós-samba”, até pela não-exclusão.

A mistura sonora do Numismata, baseada especialmente em música brasileira, esconde uma intenção de contribuir para história da nossa canção (de um jeito pragmático, mesmo, com a angústia de quem fazer alguma mudança, renovar)? Vocês têm essa preocupação ou vêem o trabalho do Numismata como resultado das influências musicais (e não só) de vocês e/ou da vontade de redescobrir sons incríveis, dar uma aula de sebo?
A mistura não esconde nada, a gente espera fazer algo diferente, porque é assim que deve ser, não? Além disso, somos nada além da soma das experiências e gostos de cada um da banda, associado à capacidade de execução, por assim dizer. Nós temos influências e opiniões diferentes daqueles que nos precederam, então o mínimo é que façamos algo diferente, o que não quer dizer que seja melhor ou pior. Em relação à relevância disso, acho meio difícil dizer, porque a princípio poucas pessoas nos conhecem mesmo e não temos como medir o impacto que o som tem nelas. O que nos leva a dizer que, em grande parte, a gente faz nossa música porque gosta, acredita e acha que vale a pena.

Temos a sensação de que nossa geração ainda carece de bons letristas. O Numismata é dessa turma que tem letras acima da média. Falem um pouco sobre como vocês lidam com essa questão das letras, tanto em relação ao Numismata quanto a respeito dessa nova safra de bandas brasileiras.
Essa história de letra é um assunto meio complicado. Não existe um formato, um assunto correto ou errado, acho que é a forma, a pertinência com a qual se fala dele que vale, e, como se trata de letra de música e não poema, o quanto soa bem cantado, não só escrito. Por exemplo, acho o Nick Cave um ótimo letrista, o Chico Buarque então, nem se fala, mas também acho o Monsueto [Campos de Menezes] fantástico, e ele é de uma economia de palavras absurda.

É assim em geral, acho que não tem de ficar policiando assunto, censurando opinião, acho que o lance é o cara escrever direito e não eu concordar com ele. No campo da canção popular, música boa é música boa, seja “Construção”, seja “Quero Que Tudo Mais Vá Pro Inferno”.

Em relação às minhas letras, eu sou meio xiita comigo mesmo. Pentelho mesmo, de ficar encafifando com as palavras, obsessivo com a história da prosódia, às vezes num nível quase caricatural. Mas não acho que seja a única saída, o único jeito de se fazer. O Tatá [Aeroplano] é um excelente exemplo de um ótimo compositor que admiro, e ele é absolutamente instintivo, não no sentido de que ele não amadurece as palavras, mas que elas brotam de um fluxo de consciência. Claro que, às vezes, as coisas nascem assim, já prontas, mas na maioria dos casos é preciso ficar burilando e burilando…

O tesão para mim são as palavras, acho que até pelo fato de que eu não sou um músico formado, foi o jeito como as palavras vinham coladas de determinada maneira à música que as imbuía de poderes quase sobrenaturais, sendo capazes de te fazer chorar, dançar, qualquer coisa… E foi o que primeiro me atraiu, quando eu era pequeno. Acho que, naquele momento crucial da juventude, isso é o que primeiro me moveu em relação à canção, a capacidade de transcendência na junção perfeita entre música e palavra, e é ali que eu acho que reside a mágica, o “tchan” da coisa. Claro que de uma maneira instintiva, não com esse rebuscamento teórico todo. Mas sem radicalismos, sabe, como Jorge Ben é bacana, Tom Jobim é bacana, Cacaso é bacana, Leminski, mas também Raul, Novos Baianos, Titãs… Acho que o barato da coisa é esse, não ter regras.

Eu acho que tem se menosprezado muito a letra na composição de uma música e, segundo o Luis Tatit – e eu concordo -, é a junção de som e palavras que dá a liga no nosso inconsciente e nos move, de alguma maneira.

Aliás, quais seus letristas novos favoritos?
Da “nossa geração” eu gosto do Mano Brown, Marcelo Camelo e do Amarante, do Kassin, Domenico e Moreno, do Momo, do Wado, do Yuka (que a galera tem esquecido), do Tatá Aeroplano, do Ronei Jorge, do Siba. Não sei se vale, mas rola citar também o Júpiter Maçã e o Marcelo D2 – nesse último caso, mesmo que de vez em quando, por conta dele ser um pouco repetitivo, porque o cara sabe trabalhar as palavras muito bem dentro do estilo dele. Tem uma galera boa surgindo, trabalhando, mas com pouco impacto, as coisas estão um pouco diluídas.

Falando sobre samba, nota-se a presença desse gênero no som de muitas bandas e artistas pop novos. Curumin, Wado, Romulo Fróes, Fino Coletivo e Ronei Jorge e os Ladrões de Bicicleta são alguns dos vários exemplos. Alguns flertam com o estilo, outros o levam mais a sério, o abarcam, embora não sejam sambistas. Vocês se sentem mais confortáveis em qual dos grupos? Falem sobre as relações do Numismata com o samba.
Acho que a gente não precisa ter essa definição. Por exemplo, o Chico Buarque é sambista? O Marcelo D2? O Chico já compôs forró, valsinha, rock, tango, já adaptou Sérgio Bardotti, Kurt Weil… O D2 mistura rap com samba, mas também mistura com rock, dub, reggae… Acho que o samba está lá porque o samba é o estilo de música que mais se aproxima da fala coloquial, é o que melhor se adaptou às divisões, fonemas, acidentes de nossa língua, porque se você é brasileiro, de alguma maneira passa pelo samba, mesmo que seja como negação, em você criar uma estrutura com o objetivo de contornar esse traço cultural, propositalmente.

Além de lançar o Chorume, quais os planos da banda para 2009?
Muitos shows e gravar o Jenkem.

Vocês têm acompanhado as bandas novas brasileiras que têm se destacado por aí (se sim, quais?), vão aos shows dessa galera, têm interesse ou participam de alguma maneira da cadeia produtiva independente, ou preferem ficar de fora, compondo, tocando e esperando que batam na porta do Numismata e por quê?
Não, a gente vai sim, e estamos nessa, sempre de portas abertas. Já tocamos com uma galera. Adoramos Ronei Jorge, Banzé, Mamma Cadela, tem uma galera bacana que a gente admira, como por exemplo o Guizado, a Iara Rennó, Cérebro Eletrônico, Seychelles, Do Amor, Lavraz Basil – e deve ter ainda muito mais gente, muito mais gente mesmo pra conhecer.

Fotos: Fernando Angulo

11/3/2009. Tags: , , , , , , . Link Permanente

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